Na veia

Por Mateus Maia*


Foto: arquivo pessoal
Caminho que chamo de meu até a UnB. Pode-se entender essa frase como quiser, como um adolescente lá em Belém ou como a saída do metrô da rodoviária do Plano Piloto, em Brasília. O som dos motores, ao qual já me acostumei, retumbava do alto da escada, contudo foi outro ruído que me chamou a atenção.
Gritos diversos eclodiam da plataforma dos ônibus, era um grupo de centenas de adolescentes que saíram de sua “alienação’’ e protestavam contra o corte da isenção da taxa de inscrição para o PAS da UnB. ‘’Pensavam que o movimento estudantil estava morto, estavam enganados’’ era só um exemplo que escutei ao sair do subsolo.

Estudante de Introdução ao Jornalismo escreve crônica e alega: “Quase não soube como lidar”´

Por Náira Araújo*


Foto: arquivo pessoal
    Se o despertador toca ou não toca, tudo continua acontecendo ao mesmo tempo e agora. As pessoas continuam vivendo, a vida continua seguindo e dentre tudo isto existe um ícone que vai retratar desde as pérolas da madrugada ao noticiário com acontecimentos leves da hora do almoço.
      Descobrir, garimpar, escrever e mostrar são coisas que fazem parte da vida de um jornalista. Vida que não tem rotina, diria eu. Hoje você pode estar escrevendo notícias sobre uma guerra no Oriente Médio e amanhã pode estar conversando com uma pessoa que tenha feito algo extraordinário, em cima de uma montanha de neve do outro lado do mundo. Uau! 

Rotina Parcial

Por Nathália Sousa de Lima* 



Foto: arquivo pessoal
            O telefone toca e no primeiro som coloca-se de pé, o céu ainda estava escuro e ficaria assim por algum tempo. Coçou os olhos enquanto caminhou para o banheiro, o seu “dia” acabara de começar. Trocou-se, o copo de café se fez presente, como em todos os dias, e fez tudo o mais rápido possível, afinal já estava atrasado.
            No caminho para a  redação, foi enviado para a prefeitura. O que é comum continua sendo notícia e ele continua a noticiar para, quem sabe, aquilo parar de ser o seu trabalho. Corria desesperado e obtinha sempre a mesma reação: negavam-se sempre a responder o básico. Negavam a verdade, que ele tanto ansiava. Algumas palavras acrescentadas, outras retiradas, parecia a matéria perfeita.

O FUTURO QUE NOS ESPERA

Por Neyrilene Raquel de Souza da Costa*  


 Foto: Sarah de Souza
A vida de jornalista é agitada, interessante, impressionante; são muitos os adjetivos positivos que cabem aqui para representá-la. Uma profissão que tem seus altos e baixos como qualquer outra, porém isso não impede o meu desejo de ser jornalista.
Profissão que não é nada fácil, principalmente no começo da carreira, pois ocorre uma modificação na rotina desses profissionais. Os cinco primeiros anos são os mais conturbados por causa do mercado de trabalho muito saturado, mas tudo na vida requer bastante dedicação do inicio ao fim. Quando amamos o que fazemos, trabalhamos por estima e não por obrigação.

Aquela Rádio Sem Música

Ana Paula Sales Rosa*



      Foto: arquivo pessoal
Escutar o noticiário havia sido consagrado ritual inabalável. Por meras questões de saúde intelectual, é claro. O modesto hábito surgira com o meu eu de vividíssimos oito anos de vida, e apenas porque ouvira dizer que era um costume de pessoas inteligentes. E, ora, eu queria ser inteligente.
Pois bem. O primeiro passo foi equipar um orgulhoso sorriso, correr até o carro, e, na trajetória para a escola, encher a boca para falar apenas: “papai, liga o rádio naquela estação sem música?”.

O ser jornalista

Por Pedro Henrique M. Gomes*

Foto: Joalisson Lopes
    Há algum tempo, escolhi ser jornalista porque queria falar, de esportes, de Drummond, do presidente, da minha cidade, do meu estado, falar do meu país. Fazer ecoar do leste ao oeste, do norte ao sul, tudo aquilo que estava em minha cabeça. Queria esvaziar minha cabeça, enchendo a de milhares de pessoas, eu queria ser ouvido.

Ser jornalista


Por Priscilla Miranda*


Foto: arquivo pessoal
     Enquanto a câmera repousa sobre os ombros do cinegrafista, ela faz os últimos retoques para ir ao ar. Texto decorado e ensaiado e prestes a fazer aquilo que lhe dá orgulho. Com carinho, se lembra dos primeiros anos da faculdade, as roupas simples, os trabalhos, o estudo intensivo, os textos escritos e leituras compulsivas, o fato é que na época nem imaginava que chegaria a realizar o sonho. É uma honra saber que todos os veículos estão repletos desses gênios das palavras. É importante dizer que, às vezes, elas somem, e se faz necessário escrever sobre a falta de vontade ou de ideias para escrever.  Há quem acredite que os poucos escritos de um lead, ou o texto diagramado e editado minuciosamente não são suficientes, então escolhem dizer mais do que mil palavras com uma imagem.

O que não quero ser

Por Rafaela Barreto*


Foto: Victor Jesus
Quero ser redatora, não quero ser jornalista. Faço Publicidade e Propaganda e sou estagiária de redação publicitária. Mas, admito que as profissões acabam se entrelaçando em muitos momentos, uma precisa da outra.
Porém, quero falar de estereótipos. Eu sempre ouvi muito "ah, eu quero aquela falta de rotina, ter que ficar na agência, ou redação se você for jornalista, de madrugada e seguir aventuras.". Porque será que as pessoas dão tanta importância a viver mal?

Andar de bicicleta

Por Rafael M. Milhomens Tzu*

Foto: arquivo pessoal
     Espera-se do jornalista a responsabilidade de decidir o que chega ao público. A essência do oficio está em dar visibilidade, afinal não há jornalista que publique para uso particular. Contudo, me inquieta que hoje não caiba mais ao jornalista decidir sobre o que escrever, mas à economia, interesses do veículo, interesses do público e, não raro, ao partidarismo.

Tangente

Por Robson Vinícius G. Rodrigues*


Foto: arquivo pessoal
Com o fim do ensino fundamental, começo a me preocupar com a profissão que tomarei e, consequentemente, com o curso universitário a seguir. Era 2009 e estava na oitava série, sem saber muito bem como atingi esse ponto sem ter aprendido tanta coisa assim. Por um breve período de tempo, almejo Arquitetura e Urbanismo, mas logo descarto, pois, afinal, exige conhecimentos matemáticos que eu não possuía – e nem estava muito a fim de um dia ter. Áreas que  tangenciassem contas eram descartadas.

O jornalista que sempre sonhei ser

Por Théo Lima*


Foto: arquivo pessoal
    Quando crianças, tiramos nossos ídolos do âmago dos nossos gostos e dos nossos maiores desejos. Se sonhamos com o infinito do universo, Neil Armstrong caiu como uma luva. Se sonhamos com a bola e o gramado, Pelé sempre será maior que Maradona.E se sonhamos em ouvir e sermos ouvidos, escrevermos e sermos lidos, falarmos para o mundo?

Diploma para quem precisa?

Por Thiago Correia de Andrade*



Foto: Maria Valente
     Qual o peso de um diploma? Formar um profissional? Atribuir a alguém o conhecimento sobre certa disciplina/área do conhecimento? Atestado de vivências adquiridas apenas na vida universitária? Sim. Parcialmente. Não. Mesmo assim, para atuar como jornalista no Brasil não é obrigatório o diploma na área. Mas quem precisa?

Sem perceber, descobri muito cedo aquilo que queria ser

  Por Vivien Doherty Luduvice *

 Foto: Deborah Doherty
            Os produtores tinham uma pauta, uma matéria sobre o “festival de cinema infantil” para o caderno das crianças de domingo, os jornalistas uma ideia, as crianças iriam escrever o conteúdo da reportagem, uma professora tinha alguns contatos e queria despertar o prazer da escrita em seus alunos. Dessa forma, uma garota de doze anos ganhou uma oportunidade,e assim foi, cheguei cedo, andei muito, perguntei mais ainda, escutei atenciosamente, falei o necessário, escrevi com rapidez, permaneci alerta, suei, cheguei a minha casa, passei anotações a limpo, reescrevi o texto, entreguei para a professora, ela o enviou e ele foi publicado na semana seguinte no Correio Braziliense.

Os novos arranjos do jornalismo


Por Cláudia Nonato*

           
Foto: arquivo pessoal
            Eu sou uma migrante da comunicação. Comecei a carreira de jornalista trabalhando com máquinas de escrever, usando cópias de papel carbono e branquinho para corrigir os erros. Migrei para os computadores, internet, e para as redes sociais. Voltei para a universidade e me aprofundei no estudo do mundo do trabalho dos jornalistas. Durante o mestrado, pesquisei as mudanças no perfil desse profissional durante o século XX até o XXI. No doutorado, dei continuidade ao tema, pensando na sobrevivência do jornalista nessa época de crise, fechamento de empresas, cortes de equipes e “passaralhos”. Também pensei em como os jornalistas estão fazendo hoje para praticar um jornalismo ético, autônomo, desvinculado do poder hegemônico das empresas de comunicação?

Capita


Por Luana Gonçalves Silveira*

Foto: arquivo pessoal
   Em uma sala sem janelas no centro da capital paulistana,por baixo de revistas com conteúdo duvidoso, rodeada de miséria, poluição e vida; para além das lentes ilusórias da juventude, avistei, sem certeza alguma, uma nova perspectiva.
    Encontrei meu desejo de servir à sociedade perambulando entre editorias dentro das redações jornalísticas. Até às 02h03min desse novo dia o desejo não mudou.

Vida de Jornalista.... É a vida que eu quero ter

Por Larissa Silva*

Foto: Bruna Cruz
    Escolhas fazem parte da existência de todos. Num curto período de tempo, durante a fase mais instável da vida, somos obrigados a fazer uma das escolhas mais significativas: a profissão. Dentre centenas de possibilidades devemos optar por uma, a qual nos dedicaremos inteiramente por vários anos. Como muitos outros jovens, e até mais cedo do que a maioria, encontrei-me em tal situação. “O que eu quero fazer? O que eu poderia fazer? Qual eu devo escolher? ” Diversas opções passaram por minha mente – as mais clichês. Direito, Medicina, Letras...– mas nenhuma delas fez-se suficiente.

O velho ranzinza

Por José Carlos Júnior*

      Ainda me pergunto se é essa mesmo a vida que eu quero ter. É uma profissão nobre, em sua essência (e por isso me interessei por ela), mas a cada dia mais em descrédito, seja pelos editoriais que cada dia mais podam a liberdade de seus subordinados, seja pelo sensacionalismo que parece ter virado lei no Brasil, não importa o veículo. Ou ainda as demissões em massa nos grandes veículos, o que sempre causa incerteza em quem está aqui, se iniciando nesse mundo louco movido a café e deadlines.

Possibilidades Futuras

Por Isabela Alves Graton*


Foto: arquivo pessoal
Desde pequena toda criança ouve a mesma pergunta, seja dos pais, amigos ou parentes: “o que você quer ser quando crescer?” Alguns respondem médicos, advogados, veterinários, engenheiros ou inúmeras outas profissões, mas para mim nenhuma dessas respostas pareciam certas.

Desconfia

Por Gabriela Brito*


Foto: Flávia Ulhôa
   Acho cômico o descaso com que tratamos a boa e velha pergunta “o que você quer ser quando crescer?”, quando na verdade são poucos os que têm a resposta na ponta da língua. Quando se é criança, basta parar por alguns minutos e eleger aquilo que mais te proporciona prazer e pronto, eis a resposta. Futebol? Jogador profissional. Comer? Chef de cozinha. Ver filme? Diretor. A coisa vai se tornando lenta e imperceptivelmente, mais complexa à medida que os anos correm e esse organismo estranho a que chamam de “sociedade” começa a lhe impor uma outra coisa estranha chamada “necessidade”. “O que você quer ser vira “profissão” e “carreira”, e seus gostos deixam de ser só gostos e passam a ser determinantes que te auxiliam na escolha profissional.
     Ao ouvir essas palavras, faça uma pausa, respire fundo e saiba: você cresceu e virou adulto. Como a necessidade é a mãe da invenção, mil e uma possibilidades se desdobram à sua frente. Gosta de futebol? Claro, jogador profissional é uma ideia, mas por que não talvez ser técnico? Comer é a sua praia? Chef de cozinha é legal, mas já pensou em ser crítico de comida? Gosta de filmes, não é? Diretor é muito comum, já pensou em ser produtor? Fotógrafo? Diretor de arte? Cinegrafista? Reparem só na quantidade de pontos de interrogação feitos em questão de segundos. O problema é que nossa cabeça nem sempre acompanha a proliferação de interrogações, e,não raro, acabamos com um leve descompasso no peito e uma angústia para descobrir logo essa tal de profissão que supra nossas necessidades sem, é claro, esquecermos dos nossos gostos.
     Quando me perguntam por que escolhi estudar jornalismo, esse monólogo que acabaram de ler não chega nem perto da enxurrada de interrogações que assolam minha mente. Assim como Guimarães Rosa, “eu quase que nada sei, mas desconfio de muita coisa.” O pouco que sei é que eu me enxergo parte de projetos culturais os mais diversos: seja participando de um ensaio fotográfico sobre a decadência de mulheres que sucumbiram às drogas e hoje vivem à sombra do que poderiam ter sido (Projeto Downtown Divas); seja me propondo a fazer uma longa peregrinação em busca das origens de um produto banal como, sei lá, a pasta de dente; seja cobrindo assunto sério, como a corrupção; seja esquadrinhando os cantos do Brasil e do mundo em busca de exposições de arte; seja criando vergonha na cara (ou melhor, me livrando dela) e divulgando meus textos para o mundo ler e opinar sobre; seja para descobrir que na verdade não é nada disso, e que o meu destino é me mudar para uma ilha com um gato e um amor do lado, me enfurnar em uma casa de madeira e escrever um livro que se transformará em um roteiro de sucesso e que, por fim, me alçará à fama inesperada. Eu quase que nada sei, mas sei que o que eu quero é ser o canal, a voz e até a mão que deu uma ajuda em projetos estranhos que de alguma forma deixaram uma marca. Eu quase que nada sei, mas desconfio de muita coisa. E eu desconfio que o jornalismo possa me proporcionar isso.

*Estudante da disciplina Introdução ao Jornalismo, Faculdade de Comunicação da UnB, 2ºSemestre/2015.




O que eu espero do jornalismo

Por Flávia Sá de Abreu*

Foto: arquivo pessoal
            Diferente da maioria das pessoas da disciplina Introdução ao Jornalismo eu não quero ser jornalista, não quero trabalhar com jornalismo e nem quero viver com o jornalismo todos os dias (apesar de saber que isso é impossível). Pretendo me formar em comunicação com habilitação em Publicidade e Propaganda e quero trabalhar com propaganda ou marketing no futuro.
Eu, porém, vejo o jornalismo da mesma forma que meus colegas de disciplina, não só como algo fundamental no contexto em que vivemos hoje, mas como um recurso de transformação, informação e educação. E, por isso, tomei a decisão que o jornalismo de um jeito ou de outro vai ter que ser parte da minha formação. Seja em meu trabalho, em que tenho contato com a área diariamente, ou na minha vida pessoal, onde o jornalismo já faz parte, e faria mesmo se não quisesse.
Mas por que não levar o jornalismo para um lado que me interesse? Para um publicitário, acompanhar o caminho da informação e o caminho que o leitor faz é um estudo fundamental. Esse comportamento é o que dita seu trabalho todos os dias, ou seja, o que dita as regras dos consumidores, o que os informa, o que traz referências e, principalmente, o que muda a percepção dos consumidores. Para mim, a publicidade se torna uma ferramenta do jornalismo e vice versa. São dependentes e complementares ao mesmo tempo. Esta é, então, a parte que mais me interessa do jornalismo -o poder de transformação.
Porém, quando falamos da relação entre as duas áreas, primeiramente devo citar que ambos têm uma rotina agitada, para não dizer maluca. Nesse sentido, acredito poder aprender, e muito, com o jornalismo e com os jornalista. Aprender a trabalhar bem, ser claro e passar uma boa mensagem ao mesmo tempo é o grande desafio das duas áreas. A vida desses profissionais – jornalista e publicitário - é diferente a cada dia, e é isso que eu espero. Para mim, não saber o dia de amanhã é completamente fascinante. Quero poder trabalhar com pessoas inspiradoras e quero poder inspirar também. Quero competir e quero ajudar, afinal acho que a profissão de um comunicólogo é mesmo um desafio novo todos os dias. E essa é a vida que eu quero ter.


*Estudante da disciplina Introdução ao Jornalismo, Faculdade de Comunicação, UnB, 2. Semestre/2015.

Ideal

Por Felipe de Oliveira Moura



Foto: Lucas de Oliveira
Arriscar-se em meio ao desconhecido, surpreendente e nada monótono espaço de trabalho. Essa bem que poderia ser uma expressão usada para descrever a vida de um aventureiro, algum insano que se propõe a desbravar um pouco deste imenso universo. No entanto essa é a vida que leva o jornalista. Essa é a vida que eu quero levar: poder informar alguém às 6h de uma segunda feira chuvosa sobre qual é o caminho mais recomendado para chegar ao trabalho. Isso é o que eu quero. Isso é jornalismo. Ao me deparar com a notícia quero transmiti-la em sua integridade. Romantismo? Talvez seja. Como o aventureiro que finca os pés em lugares íngremes, rochas traiçoeiras, assim é a minha vida. Pisando em terrenos desconhecidos e falando de uma variedade de assuntos que podem um dia demonstrar que às vezes estou pisando apenas na superfície. Um deslize e tudo tem que ser galgado outra vez.

            O recomeço faz parte. Reinventar-se é necessário. É um preço que vale a pena ser pago. Lembra do ideal romântico de fazer jornalismo pra que o mundo se torne um lugar melhor e mais humano? Ele ainda pulsa aqui dentro. Da mesma forma como pulsava naquele menino quando cursava o ensino médio. A diferença? Hoje existe consciência das dificuldades a serem enfrentadas. O sonho permanece agora moldado pela realidade. Lá em cima, no alto da escalada está o alvo do alpinista, do aventureiro. E o alvo do jornalista não é a omissão, tampouco o esclarecimento acerca de todas as coisas cognoscíveis do universo. Não somos “Leonardos da Vinci”. O meu alvo como jornalista é transformar por meio da informação, da denúncia, da sátira, muito do que vemos de errado hoje. A vida que eu quero ter já começou e a escalada está apenas no início. É hora de firmar os pés, traçar o plano, firmar convicções e não ser “mais do mesmo”. É hora de ser jornalista de verdade.

*Estudante da disciplina Introdução ao Jornalismo, Faculdade de Comunicação da UnB, 2ºSemestre/2015.


Fátima larga Bonner para fazer Programa

 Por Danielle Ferreira de Assis





Foto: arquivo pessoal
Esta foi uma das raras vezes em que recebi uma pauta com um deadline razoável. Aproveitando tal extraordinário tempo que tive para apurar, liguei para alguns eruditos youtubers formadores de opinião (são por esses importantes contatos que quis ser jornalista, afinal) e, a fim de enriquecer ainda mais este texto, pesquisei informações de credibilidade duvidosa na internet.
Por causa do limite de 25 linhas, ocultei alguns fatos que não couberam (até porque o santíssimo espaço do anúncio tem de ser respeitado e me disseram que ninguém mais tem paciência para ler matérias grandes). Adaptei, ainda, algumas merdas expressões para não ser censurada pelo editor, escolhi um título sensacionalista e procurei uma frase de alguém reconhecidamente importante para parecer que sou culta. "Penso no salário, logo desisto”. 
Se é pessimista pensar assim da profissão que escolhi seguir? Depende. Do meu ponto de vista, é uma oportunidade de inovar e mostrar capacidade de mudar este quadro. Acredito que, longe de ser apenas jornalista, é preciso ser um pouco publicitária, um pouco historiadora, um pouco poeta. Não dá para encarar o dia-a-dia de uma redação e a crise da área sem criatividade, flexibilidade e mente aberta para novas tecnologias e novas ideias, sede por mudança e, principalmente, muita vontade de contar histórias. Pena que os sonhos são grandes e o espaço pouco; deixa a mudança ir acontecendo de 25 em 25 linhas.

*Estudante da disciplina Introdução ao Jornalismo, Faculdade de Comunicação da UnB, 2ºSemestre/2015.

“Eu sempre fui fotojornalista”

Fotógrafo Allan Marques, da Folha de S. Paulo, defende que modelo de negócios do jornalismo impresso está em crise

Por Amanda Corcino, Giórgia Plauto e Isadora Prado*



Conte um pouco da sua trajetória dentro do jornalismo: por que escolheu jornalismo? Arrepende-se de alguma coisa?Eu sempre fui fotojornalista. Comecei a trabalhar em 1992 como repórter fotográfico antes de ter a graduação em Comunicação Social. Quando eu comecei [a trabalhar] eu tinha 19 anos, mais ou menos a idade de vocês. Já comecei na área de fotojornalismo e depois eu fiz o curso de graduação. Então, para vocês terem uma ideia, na época em que eu tava dando os primeiros passos na área de fotojornalismo, meu curso era Administração de Empresas. Então não tem uma história de por que eu virei fotógrafo, foi uma escolha anterior. Eu venho de uma família de jornalistas, meus irmãos são fotógrafos, então desde pequeno eu comecei a fotografar, aos 10 anos comecei a usar câmera profissional. Com 19 anos, já estava na faculdade de Administração e precisava de um estágio para ganhar dinheiro e me chamaram para trabalhar dentro de um laboratório de fotografia. Foi dentro do laboratório de fotografia que eu aprendi a arte do fotojornalismo, porque esse laboratório era de um jornal grande. Então foi esse o processo. A minha entrada no fotojornalismo não passou pelo jornalismo, passou pela tradição de fotografia. Aí depois do curso de Administração eu decidi fazer Jornalismo para entender as outras nuances da profissão, porque fotojornalismo é apenas um segmento. Dentro do jornalismo você tem uma área de trabalho gigante. Aí acabei fazendo um master na minha área de Administração, que é uma área de gestão estratégica pela Fundação Getúlio Vargas e agora tô aqui na Academia.


Como você começou a trabalhar na Folha de S. Paulo? Há quanto tempo você trabalha lá?Comecei a trabalhar na Folha em 1997, tem bastante tempo. Fui convidado a trabalhar na Folha por causa do meu trabalho anterior. Trabalhei no Jornal de Brasília e n’O Globo. A Folha tem um processo de seleção, tem umas provas, mas primeiro fui convidado por causa do meu trabalho. Comecei em 1997 e de lá até hoje.


Como é sua rotina de trabalho na Folha?O horário dentro do jornal é uma coisa muito complicada. Nos outros meios de comunicação, você tem um regime de horários que é bem respeitado, mas dentro do jornal não tem esse controle tão rígido, então eu vou acabar trabalhando o tempo que o jornal me convocar. Eu começo nove horas e vou até o fechamento do jornal, por volta de oito, nove horas da noite. Mas às vezes viro, às vezes tenho que trabalhar mais. A rotina começa com a pauta do dia. A gente começa a trabalhar por volta de nove horas, mas antes disso a gente recebe a pauta e já sabe as diretrizes que o jornal vai tomar naquele dia: já sabe o que vai acontecer no Congresso, no Palácio, e aí você é direcionado pra algum desses. Como eu trabalho pra sucursal em Brasília, meu trabalho de fotojornalista é ligado à pauta mas desligado do repórter, porque a produção da fotografia está muito centrada na agenda oficial tanto do Palácio do Planalto quanto dos outros poderes, então o que a gente trabalha, a produção de imagens, a criação de um discurso fotográfico, já é baseado na pauta, então não existe essa ligação direta com o repórter. A ligação é via redação. Mesmo assim a gente acaba conversando porque é muito bom o debate entre o que vai se escrever e o que vai se publicar como imagem.


Você está satisfeito com a sua rotina de trabalho, com o meio em que você está hoje? Tem perspectivas de estar em outro lugar no futuro?Sim [sobre estar satisfeito]. O grande lance do jornal é que é de consumo imediato, ele é um meio que se extingue depois de sua leitura, então a minha ideia é vir para a Academia agora porque aqui existe uma pesquisa mais aprofundada e aí você consegue desenvolver projetos que sejam mais consistentes. Mas o jornal me dá muita satisfação, até porque o papel social do jornal que é muito importante. Por ele ser de consumo imediato, ele transforma a sociedade de uma forma mais forte, mais intensa do que as pesquisas na Academia, que são de gestão mais longa. São dois processos diferentes. Mas isso sempre me trouxe satisfação, tanto lá [no jornal] quanto aqui [na Academia].


Muitas vezes nós como futuros jornalistas vemos de outras pessoas uma visão muito pessimista do futuro na profissão, o que pode desmotivar muita gente. O que você tem a dizer sobre isso?Cada pessoa tem uma forma de tratar a vida diferente. Se algumas pessoas falam de forma pessimista sobre a profissão ou a carreira delas, é uma questão de valor deles. Você não pode trazer isso para você. Primeiro porque você não é ele/ela, vocês são diferentes. O que você vai alcançar é diferente do que ele alcançou. Você pode ser maior ou menor do que ele, vai depender de você. A universidade vai te preparar para fazer coisas diferentes. Você gosta de contar histórias? Você pode ser uma escritora. É só desenvolver a técnica para escrever para livro. O jornalismo é só uma ferramenta que vai te dar para você se desenvolver no mundo. Se as pessoas estão te passando uma visão negativa, essa insatisfação é uma coisa pessoal delas. É claro que hoje em dia existe uma crise gigantesca no país, não só nos meios de comunicação, então você tem que estar preparada para isso. Você se prepara de várias maneiras.


Qual é sua visão em relação a esses comentários, esse cenário que surge de que o jornalismo está passando por uma mudança de modelo do impresso para a Internet?O que está em crise é o modelo de negócios. O modelo de negócios hoje no impresso está indo pra um lugar que não vai existir no futuro. Hoje a gente se comunica muito mais com telefone celular, smartphone é a coisa mais importante que existe hoje na nossa vida. O modelo de negócios está em crise, mas isso não significa que o jornalismo esteja em crise. Você tem que se posicionar. Se você quer produzir matérias com maior densidade, com maior profundidade, com maior inserção na sociedade você pode fazer isso pela Internet. A comunicação é a coisa mais importante que existe na nossa sociedade contemporânea. Então se você se torna um especialista nisso, você tem emprego sempre. E outra coisa: jornal é uma coisa, TV é outra, rádio é outra e Internet são todas as coisas juntas. Você está pensando em morar fora? Eu passei um tempo fora em Londres, foi a melhor experiência da minha vida.


Quanto tempo você passou em Londres? Como foi a experiência?Fui aprender inglês. Estava ainda na idade de vocês, uns vinte e poucos anos e fui aprender inglês, que é o idioma mais importante. Sugiro que vocês aprendam inglês, espanhol, francês e mandarim. Passei pouco tempo em Londres, quatro meses, mas foi o suficiente. Passei em Londres primeiro mas fui conhecer a Europa. Viajar acho que é a coisa mais importante do mundo pro jornalista.


Que dicas você dá para quem está começando no jornalismo?Manual de introdução não existe, cada pessoa é diferente. As coisas que eu fiz não são as coisas que todos vão fazer, cada um age de maneira diferente. O básico é vocês não saírem da universidade sem o conhecimento adequado, e esse conhecimento não é só de ferramentas, é o conhecimento de você pensar e saber se posicionar perante as coisas que vão acontecer, porque você precisa ter ideias, precisa defender as próprias ideias. Pra você fazer esse tipo de defesa, você precisa ter o domínio dos conceitos e do conteúdo. Então a pessoa tem que ter uma capacidade forte de se posicionar perante o mundo. Acho que é a única coisa, mais genérico, que eu posso passar pra vocês. Cada um de vocês vai se comportar diferente.


Qual é a visão dos grandes veículos de comunicação como a Folha em relação a mídias colaborativas como a Mídia Ninja e sobre a questão da imparcialidade jornalística?Essa história de que existe imparcialidade não é verdade. Todo mundo que está se posicionando em uma manifestação, na vida como um todo, tem uma visão. Só por ter essa visão já é parcial. Isso de imparcialidade de qualquer meio é falacioso. O meio de comunicação é um meio de mediação: você pega um pedaço da notícia e leva para consumo do leitor. O que a Mídia Ninja faz é divulgação do evento inteiro, streaming, não havia mediação. As pessoas iam lá e assistiam o tempo que quisessem. É uma outra forma de comunicação. E quem financia os grandes veículos de comunicação é a área do dinheiro, da publicidade, do marketing, das vendas. Mídia Ninja também, alguém os financia. Então se ele é financiado por alguém, ele tem uma linha editorial. Ele tem uma visão, não existe essa imparcialidade. Quando você põe a assinatura em um coletivo, você tira a responsabilidade de quem tá fazendo a captura do fato porque a responsabilidade de uma cobertura tem de ser individual. Você tem que ser responsável pelo o que você tá dizendo. A Constituição não permite anonimato. Bota [a responsabilidade] no cooperativismo e quem é responsável por isso?


Como fotojornalista, quais foram os maiores desafios que você teve que enfrentar?Para o fotojornalista, o desafio é diário. Porque a gente não consegue fazer matéria de casa nem da redação. A gente é o cara da linha de frente, nós somos a ponta da lança da guerra, aquela primeira coisinha que chega no evento. Todo dia é um desafio, porque foto é furtiva, se você não fizer ela escapa e não tem como recuperar. Texto consegue. Então é uma coisa que você tem que tomar muito cuidado. O desafio é diário. Eu já participei de coberturas bem tensas. Não existe fotojornalismo fácil.


Você pode dar exemplos dessas coberturas?Qualquer invasão que exista polícia e manifestante é tenso. Porque você pode tomar um tiro, uma facada, uma pedrada, você pode se machucar ou até morrer. Tivemos um exemplo disso em fevereiro do ano retrasado do cinegrafista Santiago Andrade que foi morto durante uma manifestação. Ele estava filmando e foi acertado por um rojão pelas costas, foi um manifestante que o matou. Todas as manifestações são complicadíssimas e aqui em Brasília o que mais tem é manifestação. Então é complicado.A cobertura da queda do avião 1907 da Gol foi um resgate que a gente teve que fazer, que foi feito pelo Exército, pelas Forças Armadas e as polícias, foi feito no meio da Floresta Amazônica. Pra fazer esse tipo de cobertura, eu tive que ir para lá no meio da floresta, então teve um problema de logística forte e isso é muito difícil para um repórter fotográfico. Se você está trabalhando aqui perto do escritório, se você tiver algum problema, você tem um escritório. Lá não, você está sozinho no meio do mato.O terremoto do Haiti em 2010 também foi outro evento. Eu cheguei lá poucos dias depois do terremoto para fazer a cobertura, um país que tinha acabado de ser devastado. São esses exemplos que eu lembro, mas posso falar um monte. Eu fiz a campanha presidencial do Fernando Henrique [Cardoso] pra cá. Todas as campanhas são complicadas. Todas as coberturas para o fotojornalista depende da habilidade dele de fragmentar o tempo para transformar aquele pedaço de tempo em algo que seja significativo, tenha informação visual e de notícia para o leitor. Não é todo mundo que consegue se manter em pé sob tanta pressão.



*Estudantes da disciplina Introdução ao Jornalismo, Faculdade de Comunicação, UnB, 2º Semestre/2015.


Uma vasta carreira: do jornalismo a assessoria de imprensa

"Não deixei de ser jornalista"



Foto: Sandra Sato

Sandra Sato estudou jornalismo na Universidade de Brasília junto com grandes nomes do jornalismo contemporâneo, como a jornalista e professora da UnB, Marcia Marques. Passou por diversos jornais e diretorias, dentre eles, trabalhou no Estadão por cerca de 16 anos. Hoje, ela trabalha na área de assessoria de imprensa no Ministério Publico e ainda  'e apaixonada por sua profissão.



Você se graduou na Universidade de Brasília em Jornalismo. Na época, como era o currículo dos estudantes de jornalismo? O curso já era integrado com audiovisual e publicidade e propaganda?
Já faz muito tempo. Lembro apenas que, no final do curso, houve reformulação de currículo.
 

Apesar de hoje viver em Brasília, você já teve de mudar de cidade por conta de sua carreira?
Não. Quase mudei para São Paulo, mas o mercado de Brasília era bastante interessante para jornalistas.
 

Você trabalhou em um dos maiores veículos de comunicação do Brasil, o Estadão. Como foi essa experiência?

Eu cresci profissionalmente dentro da redação do Estadão, onde passei por todas as áreas (nacional, economia e política). A profissão me permitiu testemunhar e participar muito de perto de momentos históricos desse país, como a retomada da democracia, a Assembleia Nacional Constituinte, a adoção do real, o impeachment de um presidente, a transmissão da faixa presidencial de um sociólogo para um trabalhador.
 

Você, hoje, trabalha com assessoria de imprensa. Como é o mercado atual para essa área?
O curso de jornalismo oferece uma boa base para que o profissional atenda também como assessor? R: As vagas nas redações estão cada vez mais reduzidas e o mercado que prospera é o de assessoria de imprensa.   Estou longe da academia, por isso não sei analisar se o curso de jornalismo assegura uma boa base.  
 
 Qual foi um dos maiores desafios que você enfrentou em sua carreira jornalística?
Cobrir o Banco Central num recesso de fim de ano. Eu cobria Ministério da Fazenda e foi escalada para substituir um colega. No BC, a cobertura é extremamente técnica e as fontes usam siglas/jargões de forma corrente.
 
É importante para um assessor de imprensa manter um bom relacionamento com jornalistas. Como construir essa relação e o que deve ser evitado fazer para não prejudicá-la?
É no dia-a-dia que se constrói essa relação, com conversas francas, com informação, com clareza do papel de cada um.   Às vezes, até com embates. O pior dos mundos nessa relação é a quebra da credibilidade.
 
Levando em consideração a carreira jornalística, qual a matéria que você mais gostou de cobrir?
Foram tantas, difícil escolher. Cito uma delas: a ida a reserva extrativista do Médio Juruá, onde descobri uma civilização no meio da floresta.
  
Foi difícil a transição do jornalismo tradicional para a assessoria de imprensa?
Não, porque fui trabalhar numa área com a qual me identificava muito e não deixei de ser jornalista. Isto a gente carrega para vida toda, quando tem uma grande vivencia em redação.
 
Você pretende voltar a trabalhar com o jornalismo tradicional no futuro?
Tenho saudades de redação e curiosidade em saber como seria voltar a este mercado.  



Sobre jornalistas que nascem e morrem todos os dias

Luiz Martins da Silva, apaixonado pela poesia, interessado em fazer alguma diferença no âmbito social, fala sobre os desafios de ser jornalista.

Por Ana Luisa Araujo e Nathália Lima*


Foto: Arquivo Pessoal
Luiz Martins da Silva, Graduado em jornalismo, Mestre em Comunicação, Doutor em Sociologia. Trabalhou em lugares como Jornal de Brasília, Veja, O Globo e Revista Ciência Hoje. Professor da Universidade de Brasília (UnB), onde foi graduado, desde 1988. E além de tudo, é poeta e escritor.


Onde você graduou em jornalismo?

Na Universidade de Brasília, na Faculdade de Comunicação, que na época tinha sido rebaixada para departamento de comunicação, que tinha habilitações em jornalismo, publicidade e relações públicas.

Qual que você acredita ser a relevância da mídia?

Você já ouviu falar de alguma grande causa que não precise da mídia? Pelo contrário vem desde a campanha das Nações Unidas até a campanha do síndico do seu bloco, tudo precisa de comunicação, tudo precisa da mídia, tudo precisa da persuasão, do convencimento, as pessoas serão convencidas no que elas já sabem, mas é preciso que você também obtenha mudança de conduta das pessoas que já sabem qual é a conduta correta.

Qual o papel do jornalismo hoje?

Houve uma época em que no jornalismo, fatos são fatos, e nossa meta é publicar os fatos, mas no início da década de 90 para cá, não basta simplesmente apresentar o fato, é preciso apresentar o fato, mas um valor agregado, um contexto, uma informação adicional a simples informação factual. Ou seja, é quando o fato vem agregado de valor, utilidade pública e serviço, nem sempre o que é interessante é importante ao paladar midiático. O jornalismo vai fornecer elementos para o ser humano sair da sua letargia e transformar o mundo.

Qual o grande desafio do jornalismo?
O grande desafio não é passar a informação, o grande desafio é o que as pessoas vão fazer com a informação pra tornar a vida delas mais agradável, mais feliz, mais equilibrada, mais respeitosa, mais equânime da distribuição dos bens. Para além do valor notícia, o jornalismo tem a responsabilidade de construir uma sociedade reflexiva.

Por que você escolheu ser jornalista?
Eu queria ser sociólogo. Mas sociologia numa época de ditadura, filho de uma família migrante, pobre e sozinho em Brasília. Ia fazer jornalismo? Eu queria fazer cinema, depois queria fazer sociologia. Eu tinha na cabeça que eu tinha um chamado para o social, eu acho que se eu viesse ao mundo e não pensasse em transformar alguma coisa no mundo eu me sentiria indigno, era uma mentalidade da época. Outra coisa jornalismo se aproximava da escrita, eu sempre tive uma forte ligação com a escrita e com a poesia.

Nunca sentiu interesse por publicidade?

Não, no início não. Mas quando eu fiz mestrado eu senti necessidade em sondar o que havia de resposta com relação a seguinte pergunta: Por que os meios de comunicação têm uma capacidade tão grande para vender inclusive o que as pessoas não podem comprar, não tem como comprar e mais não dão conta de consumir? Durante o mestrado quis retratar a sedução para o consumo e no doutorado eu quis entender por que é tão difícil, usando os meios de comunicação, obter-se mudanças de conduta quando se trata de campanhas públicas, civismo, participação do cidadão na sociedade.


Mas e no dia a dia, como é ser jornalista?

O jornalista nasce e morre todo o dia, ele sofre de um complexo de Sísifo, ser jornalista é rolar uma pedra pro topo da montanha, e quando chega no topo da montanha ele tem que rolar a pedra de volta. Todo dia o jornalista não tem nada, ele sai e tem que voltar com um produto que é bom, que é nobre, que é coletivo e que ninguém tenha entregado. É pegar um produto que tenha valor social, lastro social, utilidade pública, que é um serviço e você democratizar aquilo todo dia, você quer uma profissão mais socialista do que essa? Ser jornalista não é igual a ser um dentista, e acho que é isso que diferencia tanto a profissão, o dentista abre o consultório, tem horário de almoço, fecha o consultório, e é isso, o jornalista não, ele tem que estar ligado o tempo inteiro. A vida de jornalista é uma meia vida, 90% da vida dele é para a profissão.

Quais lugares você já trabalhou?

Aí olha, eu já trabalhei, outra coisa você nunca sabe o que você vai escrever. Eu me preparei para ser jornalista crítico de artes plásticas, nunca consegui uma chance (risos). Mas me pergunta se não me mandaram fazer jornalismo econômico, ministério do planejamento, política, relações externas, comércio exterior, cobri Presidência da República. Trabalhei no Jornal de Brasília, duas vezes, já fui estagiário no Correio (Braziliense), na Veja, principalmente, 8 anos na redação do Globo, trabalhei cinco anos com Comércio Exterior em revistas da Fundação de um Órgão do Itamaraty, a única revista que divulgava o Brasil para o mundo em cinco línguas diferentes, trabalhei pra revista Ciência Hoje. Foi quando eu fiz concurso público para o Jornal Campus, em 1988.

Como se tornou professor?

Nunca pensei em ser professor e acho isso uma petulância. Eu acho que sou menos esquizofrênico como professor, o jornalismo é uma profissão muito dilacerante.

Qual a pessoa que mais gostou de entrevistar?

Puxa vida, em questões de gosto, Cora Coralina. A entrevista mais difícil foi com um antigo jurista Miguel Reale, era um jurista muito importante e respeitadíssimo na época e eu fui lá com o maior preconceito com aquele homem porque aquele homem tinha sido integralista e eu jovenzinho: “ Que coisa, vou entrevistar um fascista! ” Ele teve a maior paciência e conversou duas horas comigo.

Qual a maior diferença ou dificuldade que você nota desse novo jornalismo, chamado jornalismo 2.0, para o antigo jornalismo?

Esse jornalismo, sabe, jornalismo turbina, acho que é um jornalismo fast food, um jornalismo muito ligeiro, ele é importante, ele é necessário.

Qual o lugar que você gostaria de ter trabalhado, um sonho seu?

Sabe onde eu gostaria de ter trabalhado? [Na revista] National Geographic.



*Estudantes da disciplina Introdução ao Jornalismo, Faculdade de Comunicação, UnB, 2º Semestre/2015.