Rotina Parcial
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Crônica
Por
Nathália
Sousa de Lima*
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| Foto: arquivo pessoal |
O telefone toca e no primeiro som coloca-se de pé, o céu
ainda estava escuro e ficaria assim por algum tempo. Coçou os olhos enquanto caminhou
para o banheiro, o seu “dia” acabara de começar. Trocou-se, o copo de café se
fez presente, como em todos os dias, e fez tudo o mais rápido possível, afinal
já estava atrasado.
No caminho para a redação, foi enviado para a prefeitura. O que
é comum continua sendo notícia e ele continua a noticiar para, quem sabe,
aquilo parar de ser o seu trabalho. Corria desesperado e obtinha sempre a mesma
reação: negavam-se sempre a responder o básico. Negavam a verdade, que ele
tanto ansiava. Algumas palavras acrescentadas, outras retiradas, parecia a
matéria perfeita.
Quatro horas digitando, os dedos corriam incansáveis pelo
teclado do computador. Acento, frase de efeito, café e então o texto correu
para as mãos do editor. O texto voltou,
corrigiu, acrescentou um pouco mais – dessa vez a pedido do editor – e enfim
entregou o texto. Espera, outra notícia de primeira mão. Ator famoso é
atropelado. O hospital era o destino, até as servidoras da limpeza seriam
escutadas. Outra matéria, escolhe a melhor foto para a reportagem, ficou boa,
merece a capa - foi para décima página.
Volta para casa às vinte três horas, escova os dentes,
toma outro banho. Deita-se ansiando para quem sabe ser acordado com uma notícia
que valha a pena o sono deixado de lado. Cochila, até nos sonhos, anseia pela
verdade – que muitas vezes é manipulada. O despertador toca de novo, coloca a
água para ferver enquanto vai tomando banho, tudo isso na velha tentativa –
sempre tão falha – de não estar atrasado.
*Estudante da disciplina Introdução ao Jornalismo, Faculdade de
Comunicação da UnB, 2ºSemestre/2015.



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