“O mercado é sempre saturado, mas não eternamente fechado. Não tenha medo dele. Encare-o.”
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Entrevistas
Erika
Blayney se formou na Universidade Federal de Goiás em 2001. Passou
por alguns trabalhos no Brasil e no exterior, e atuou no rádio,
impresso e TV. Ao longo desses períodos já passou por demissões em
massa. E atualmente é repórter na TV Band.
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Foto: Altair Santana
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A
universidade te preparou para o mercado?
Em
partes. O objetivo principal de uma universidade federal não é,
necessariamente, preparar o aluno 100% no que se refere à prática
diária do jornalismo, mas lhe permite uma reflexão teórica sobre
essa prática e mostrar um pouco do que acontece nas redações. As
tecnologias mudam e, nem sempre, dispomos dos melhores e mais
atualizados computadores, máquinas fotográficas e câmaras para
trabalhar.Dica: o importante é aliar o conteúdo teórico à prática
nas salas de aulas e estágios nas empresas de comunicação, de
assessoria de imprensa e demais órgãos e instituições de
interesse.
Qual
foi seu primeiro contato com o mercado de trabalho, teve dificuldade,
quais?
Meu
primeiro contato com o mercado de trabalho foi antes mesmo de
finalizar o curso de jornalismo, a contragosto de muitos professores.
Comecei como estagiária, informalmente, na época em que estágios,
acreditem, eram mal vistos e, pra piorar, irregulares. Enquanto a
universidade enfrentava uma greve atrás da outra, eu aproveitava
para me dedicar ao que já via como emprego. No final do curso,
quando a última greve que enfrentei como universitária acabou, já
era editora e âncora de um dos principais jornais da rádio onde eu
trabalhava. Depois do diploma, veio à efetivação do emprego logo
em seguida.
Você
traçou metas na universidade, teve mudança ao longo do tempo?
Gostaria
de ter traçado metas profissionais durante a faculdade, mas as
opções eram tantas e a gente é tão novo, durante esse período,
para decidir exatamente o que quer para o futuro. O melhor que pude
fazer foi experimentar todas as oportunidades que me apareceram para
me ajudar a decidir rumos futuros, ler o máximo possível,
aproveitar aquela biblioteca maravilhosa da universidade, fazer
amizades que perduram o tempo e a distância, e, finalmente, não
deixar de sonhar.
Por
quais veículos já passou?
Vários.
Para citar alguns:TV Band/DF: Reportagem e edição de texto.TV
Justiça-STF/DF: Apresentação.STJ/DF: Reportagem.Rede TV/RN: Edição
de texto.Rádio 730 AM/GO: Reportagem, apresentação e edição.Jornal
de Brasília/DF: Reportagem. Jornal Brazilian News/Reino Unido:
Edição e revisão de texto. Jungle Drums/Reino Unido: Reportagem e
edição.
Sofreu
com a demissão em massa?
Você
pode até não ser demitida, mas sempre sofre com as demissões dos
colegas nessas ocasiões. É um momento tenso, ríspido, doloroso. Já
passei por vários cortes de pessoal.
O
primeiro foi uma perseguição política em resposta à oposição
baseada em fatos e documentos que fazíamos. Conseguiram na justiça
o direito de interditar a emissora por umas sete vezes. O comercial
quebrou. A solução foi acabar com o jornalismo político, opinativo
e o mais próximo da tão sonhada liberdade de imprensa que já vi.
Todos os jornalistas foram demitidos. Foi traumático, mas recebi a
rescisão e fui estudar no exterior. Outro jornal em que trabalhei
fechou as portas porque era sustentado com dinheiro da corrupção.
Quando o escândalo veio à tona, a solução foi acabar com o
jornal. O dono sumiu e muita gente nem recebeu pelo trabalho que
havia feito. É importante salientar que o jornalismo é uma
profissão em crise, por vários motivos. Entre eles, às novidades
tecnológicas, a facilidade de se distribuir informação (todo mundo
pensa que sabe fazer uma reportagem de tv, escrever e publicar no
Facebook,
tirar uma fotografia jornalística). Tudo isso leva a uma
desvalorização tamanha do profissional de jornalismo, o qual ganha
cada vez menos e é substituído ou mesmo descartado facilmente no
mercado.
Qual
é a sua opinião sobre a desvalorização do diploma, já que não é
mais obrigatório para exercer a profissão, é bom ou ruim?
Desvalorização
nunca é bom. É péssimo. Embora não acredite necessariamente que
um diploma específico em jornalismo seja mesmo imprescindível para
o exercício da profissão, a exigência do documento promove uma
forma democrática de entrada nesse belo ofício. Não acredito
nesses argumentos apresentados para a queda da exigência, bem como
não defendo que só a faculdade seja o suficiente. Sou a favor de
que os requisitos básicos fossem, na verdade, uma graduação em
áreas variadas, como Ciências Políticas, Relações
Internacionais, Economia, etc, mais uma pós-graduação em
Jornalismo para poder aprender a linguagem da Comunicação.
*Estudantes
da disciplina Introdução
ao Jornalismo,
Faculdade de Comunicação da UnB, 2º semestre/2015.



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