Crônica Jornalística

Por Ana Cláudia Gonçalves Mascarenhas*


Foto: Luca Sorriso

Eu não sou jornalista. Eu sou um protótipo de jornalista que nem sabe mais se quer ser jornalista. Não posso me dispor a falar de como é a rotina de um jornalista, porque não a vivo. Todos os dias eu vou para uma Faculdade que chamam de Comunicação, que fica dentro de uma universidade que chamam de Universidade de Brasília, que, como o próprio nome diz, fica em uma cidade que chamam de Brasília. Todos os dias eu vejo teorias e mais teorias de como tudo deve ser. Ou pelo menos como deveria ser. Todos os dias, a minha rotina é aprender como o jornalismo está doente. A minha vida é aprender o que não é mais o jornalismo. Eu olho para o quadro branco e para o jornal em minhas mãos e reflito sobre a incoerência de tudo isso.
Dizem que o papel do jornalismo é informar. Isso é uma mentira. O papel do jornalismo é selecionar aquilo que lhe parece mais importante para a sociedade e, então, repassar essa informação de um jeito que as pessoas realmente pensem naquilo, em soluções, em respostas. Veja bem, não se pode informar tudo o que acontece no mundo. Se seu Orlando, meu vizinho, concerta o carro, isso não tem a menor relevância para um grupo tão grande de pessoas como a sociedade brasileira. De novo olho para o jornal do dia e parece que se o casamento da Gisele Bundchen acaba isso é extremamente relevante, mais até do que notícias internacionais sobre a guerra na Síria.
Tem uma teoria no quadro. Bourdieu me diz que o jornalista deve falar pouco e deixar o entrevistado falar. Falar o que é relevante para a sociedade, o que nem sempre é o que ela quer escutar. De novo, olho para o jornal. Isto não exista ali. O jornal está amarrado a coisas e pessoas. Não se pode falar mal dos agricultores, pois eles financiam o jornal; não se fala o que quer, porque quem manda é o editor. Agora tem outro nome no quadro. McLuhan. O meio é a mensagem, ele diz. E ninguém percebe que isso é a maior crítica ao jornalismo. Não importa o que você tem a dizer. O jornal tem que sair amanhã.

*Estudante da disciplina Introdução ao Jornalismo, Faculdade de Comunicação da UnB, 2ºSemestre/2015.

Postar um comentário