Uma vasta carreira: do jornalismo a assessoria de imprensa

"Não deixei de ser jornalista"



Foto: Sandra Sato

Sandra Sato estudou jornalismo na Universidade de Brasília junto com grandes nomes do jornalismo contemporâneo, como a jornalista e professora da UnB, Marcia Marques. Passou por diversos jornais e diretorias, dentre eles, trabalhou no Estadão por cerca de 16 anos. Hoje, ela trabalha na área de assessoria de imprensa no Ministério Publico e ainda  'e apaixonada por sua profissão.



Você se graduou na Universidade de Brasília em Jornalismo. Na época, como era o currículo dos estudantes de jornalismo? O curso já era integrado com audiovisual e publicidade e propaganda?
Já faz muito tempo. Lembro apenas que, no final do curso, houve reformulação de currículo.
 

Apesar de hoje viver em Brasília, você já teve de mudar de cidade por conta de sua carreira?
Não. Quase mudei para São Paulo, mas o mercado de Brasília era bastante interessante para jornalistas.
 

Você trabalhou em um dos maiores veículos de comunicação do Brasil, o Estadão. Como foi essa experiência?

Eu cresci profissionalmente dentro da redação do Estadão, onde passei por todas as áreas (nacional, economia e política). A profissão me permitiu testemunhar e participar muito de perto de momentos históricos desse país, como a retomada da democracia, a Assembleia Nacional Constituinte, a adoção do real, o impeachment de um presidente, a transmissão da faixa presidencial de um sociólogo para um trabalhador.
 

Você, hoje, trabalha com assessoria de imprensa. Como é o mercado atual para essa área?
O curso de jornalismo oferece uma boa base para que o profissional atenda também como assessor? R: As vagas nas redações estão cada vez mais reduzidas e o mercado que prospera é o de assessoria de imprensa.   Estou longe da academia, por isso não sei analisar se o curso de jornalismo assegura uma boa base.  
 
 Qual foi um dos maiores desafios que você enfrentou em sua carreira jornalística?
Cobrir o Banco Central num recesso de fim de ano. Eu cobria Ministério da Fazenda e foi escalada para substituir um colega. No BC, a cobertura é extremamente técnica e as fontes usam siglas/jargões de forma corrente.
 
É importante para um assessor de imprensa manter um bom relacionamento com jornalistas. Como construir essa relação e o que deve ser evitado fazer para não prejudicá-la?
É no dia-a-dia que se constrói essa relação, com conversas francas, com informação, com clareza do papel de cada um.   Às vezes, até com embates. O pior dos mundos nessa relação é a quebra da credibilidade.
 
Levando em consideração a carreira jornalística, qual a matéria que você mais gostou de cobrir?
Foram tantas, difícil escolher. Cito uma delas: a ida a reserva extrativista do Médio Juruá, onde descobri uma civilização no meio da floresta.
  
Foi difícil a transição do jornalismo tradicional para a assessoria de imprensa?
Não, porque fui trabalhar numa área com a qual me identificava muito e não deixei de ser jornalista. Isto a gente carrega para vida toda, quando tem uma grande vivencia em redação.
 
Você pretende voltar a trabalhar com o jornalismo tradicional no futuro?
Tenho saudades de redação e curiosidade em saber como seria voltar a este mercado.  



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