Ser jornalista


Por Priscilla Miranda*


Foto: arquivo pessoal
     Enquanto a câmera repousa sobre os ombros do cinegrafista, ela faz os últimos retoques para ir ao ar. Texto decorado e ensaiado e prestes a fazer aquilo que lhe dá orgulho. Com carinho, se lembra dos primeiros anos da faculdade, as roupas simples, os trabalhos, o estudo intensivo, os textos escritos e leituras compulsivas, o fato é que na época nem imaginava que chegaria a realizar o sonho. É uma honra saber que todos os veículos estão repletos desses gênios das palavras. É importante dizer que, às vezes, elas somem, e se faz necessário escrever sobre a falta de vontade ou de ideias para escrever.  Há quem acredite que os poucos escritos de um lead, ou o texto diagramado e editado minuciosamente não são suficientes, então escolhem dizer mais do que mil palavras com uma imagem.
    A rotina é não ter rotina, e quem o vê elegantemente arrumado não sabe que não basta ter rosto e voz bonitos. É necessário ter disposição para matar um leão por dia, entrar de vez no “olho do furacão”. Ser bom é, na verdade, só um detalhe. Além do profissionalismo, o amor à admirável função é essencial. Enfrentar as dificuldades de uma cobertura de protesto, enfrentar um corrupto no plenário, testemunhar o caos nas comunidades carentes, são apenas algumas peças desse quebra-cabeça. George Orwell já dizia que o jornalismo consiste em publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Nesse ponto é impossível dissociar o papel de um jornalista do papel de um herói. 
   O grande encanto é saber a responsabilidade que se adquire ao exercer essa função. O mundo espera que, além da postura, parta do jornalista, a verdade. Aquilo que os três poderes não comportam mais.
   O jornalismo ultrapassa qualquer noção de tempo. É uma das profissões que dão a um episódio a merecida importância. Talvez, uma simples matéria imortalize um indivíduo, além do próprio jornalista, ou eternize um momento. O que é publicado hoje pode estar nas páginas de um livro de História nos anos que se seguem.
   O jornalista nunca deixa sua profissão, nem mesmo aos fins de semana, feriados ou férias. São nesses momentos que ele busca aumentar sua base de conhecimento. Ser jornalista é ser ousado e enfrentar quem for preciso, mas humilde para aprender, ouvir e lidar com as diferenças de pensamento ou classes. Questionar os dogmas, desafiar o desconhecido, saber ouvir o “não”, mas sem desistir, entender o momento de calar e falar, construir uma bomba com um simples bloquinho de anotações e caneta, também são algumas das façanhas.
    Todo mundo tem um lado jornalista, mas em alguns indivíduos esse não é só um lado. Quero ser e sê-lo por completo, experimentar da dor e delícia de salvar o mundo, seja de uma redação, estúdio de rádio, tv, ou fotografar tudo à volta. Que a paixão passe, mas que o amor permaneça.


*Estudante da disciplina Introdução ao Jornalismo, Faculdade de Comunicação da UnB, 2º Semestre/2015.


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