Ser jornalista
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Crônica
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| Foto: arquivo pessoal |
Enquanto a câmera
repousa sobre os ombros do cinegrafista, ela faz os últimos retoques para ir ao
ar. Texto decorado e ensaiado e prestes a fazer aquilo que lhe dá orgulho. Com
carinho, se lembra dos primeiros anos da faculdade, as roupas simples, os
trabalhos, o estudo intensivo, os textos escritos e leituras compulsivas, o
fato é que na época nem imaginava que chegaria a realizar o sonho. É uma honra
saber que todos os veículos estão repletos desses gênios das palavras. É
importante dizer que, às vezes, elas somem, e se faz necessário escrever sobre
a falta de vontade ou de ideias para escrever.
Há quem acredite que os poucos escritos de um lead, ou o texto
diagramado e editado minuciosamente não são suficientes, então escolhem dizer
mais do que mil palavras com uma imagem.
A rotina é não ter
rotina, e quem o vê elegantemente arrumado não sabe que não basta ter rosto e
voz bonitos. É necessário ter disposição para matar um leão por dia, entrar de
vez no “olho do furacão”. Ser bom é, na verdade, só um detalhe. Além do
profissionalismo, o amor à admirável função é essencial. Enfrentar as
dificuldades de uma cobertura de protesto, enfrentar um corrupto no plenário,
testemunhar o caos nas comunidades carentes, são apenas algumas peças desse
quebra-cabeça. George Orwell já dizia que o jornalismo consiste em publicar
aquilo que alguém não quer que se publique. Nesse ponto é impossível dissociar
o papel de um jornalista do papel de um herói.
O grande encanto é
saber a responsabilidade que se adquire ao exercer essa função. O mundo espera
que, além da postura, parta do jornalista, a verdade. Aquilo que os três
poderes não comportam mais.
O jornalismo ultrapassa
qualquer noção de tempo. É uma das profissões que dão a um episódio a merecida
importância. Talvez, uma simples matéria imortalize um indivíduo, além do
próprio jornalista, ou eternize um momento. O que é publicado hoje pode estar
nas páginas de um livro de História nos anos que se seguem.
O jornalista nunca
deixa sua profissão, nem mesmo aos fins de semana, feriados ou férias. São
nesses momentos que ele busca aumentar sua base de conhecimento. Ser jornalista
é ser ousado e enfrentar quem for preciso, mas humilde para aprender, ouvir e
lidar com as diferenças de pensamento ou classes. Questionar os dogmas,
desafiar o desconhecido, saber ouvir o “não”, mas sem desistir, entender o
momento de calar e falar, construir uma bomba com um simples bloquinho de
anotações e caneta, também são algumas das façanhas.
Todo mundo tem um lado jornalista, mas em alguns
indivíduos esse não é só um lado. Quero ser e sê-lo por completo, experimentar
da dor e delícia de salvar o mundo, seja de uma redação, estúdio de rádio, tv,
ou fotografar tudo à volta. Que a paixão passe, mas que o amor permaneça.
*Estudante da disciplina Introdução
ao Jornalismo, Faculdade de Comunicação da UnB, 2º Semestre/2015.



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