Os novos arranjos do jornalismo
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Crônica
Por Cláudia Nonato*
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| Foto: arquivo pessoal |
Eu sou uma migrante da comunicação. Comecei a carreira de
jornalista trabalhando com máquinas de escrever, usando cópias de papel carbono
e branquinho para corrigir os erros. Migrei para os computadores, internet, e para
as redes sociais. Voltei para a universidade e me aprofundei no estudo do mundo
do trabalho dos jornalistas. Durante o mestrado, pesquisei as mudanças no
perfil desse profissional durante o século XX até o XXI. No doutorado, dei
continuidade ao tema, pensando na sobrevivência do jornalista nessa época de
crise, fechamento de empresas, cortes de equipes e “passaralhos”. Também pensei
em como os jornalistas estão fazendo hoje para praticar um jornalismo ético,
autônomo, desvinculado do poder hegemônico das empresas de comunicação?
Nesse período, observei que os jornalistas adotaram os
blogs como veículo de comunicação, em busca de independência, tanto ideológica,
quanto financeira.
Os pioneiros foram aqueles mais experientes, que há dez anos levaram a
credibilidade e visibilidade conquistadas em outros meios (impressos, rádio e
televisão) para a blogosfera e para as redes sociais. Eles abriram caminho para
jovens que hoje iniciam no jornalismo (e se mantém) por meio esse meio.
A pesquisa também mostrou que os jornalistas encontraram
no colaborativismo, que permite a
produção coletiva de reportagens, e no crowdfunding, ou financiamento
coletivo, utilizado para arrecadar dinheiro pela internet, alternativas,
baseadas num modelo horizontal de jornalismo sem fins lucrativos. Esses
modelos, que chamei de “arranjos econômicos” não são novos; são inspirados no
cooperativismo, que foram adaptados à sociedade em rede e (re) apropriados
pelos jornalistas. Mas servem para demonstrar o quanto é fértil a busca por
alternativas nesse momento, de surgimento de novos meios e, ao mesmo tempo, de
crise na profissão.
*jornalista,professora
na FMU/FIAMM



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