Andar de bicicleta

Por Rafael M. Milhomens Tzu*

Foto: arquivo pessoal
     Espera-se do jornalista a responsabilidade de decidir o que chega ao público. A essência do oficio está em dar visibilidade, afinal não há jornalista que publique para uso particular. Contudo, me inquieta que hoje não caiba mais ao jornalista decidir sobre o que escrever, mas à economia, interesses do veículo, interesses do público e, não raro, ao partidarismo.
    Não espero que minha opinião seja palavra última na reunião de pauta. No entanto, perguntar-me “Como seria o jornalista que quer ser? ” é como dizer “ao que quer dar importância? Como quer tratar um assunto? ”. Devo mostrá-lo como me pedem ou como me peço?
   Certa vez, entrevistei um homem que me falou sobre andar de bicicleta. Falou sobre melhor qualidade de vida e uso sustentável do espaço urbano como consequências deste hábito.Parece-lhe importante que alguém escreva sobre isto? Qual será a opinião dos jornais sobre estes temas? O público gostaria? E quanto aos anunciantes? O público se prende a detalhes de um grande conjunto, um produto cuja produção não lhes chega, a matéria escrita ou a reportagem editada na tela de televisão passam por numerosas etapas até serem consumidas.Os anunciantes valorizam o que vendem e se andar de bicicleta for um fator desfavorável ao anuncio,falar sobre isso não lhes será interessante.Quero dividir com o leitor conteúdo de maneira que nos seja útil. Quero potencializar a voz do que não é dito, quero divulgar o que não veem. Quero contribuir com a difusão do conhecimento, interpretando e traduzindo informações.Dar a sociedade, ou a um leitor que seja, ferramentas para que possa compreender a realidade simbólica em que vivemos.

*Estudante da disciplina Introdução ao Jornalismo, Faculdade de Comunicação da UnB, 2ºSemestre/2015.


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