O jornalista que sempre sonhei ser
Marcadores:
Crônica
Por Théo
Lima*
![]() |
| Foto: arquivo pessoal |
Quando crianças,
tiramos nossos ídolos do âmago dos nossos gostos e dos nossos maiores desejos. Se
sonhamos com o infinito do universo, Neil Armstrong caiu como uma luva. Se
sonhamos com a bola e o gramado, Pelé sempre será maior que Maradona.E se
sonhamos em ouvir e sermos ouvidos, escrevermos e sermos lidos, falarmos para o
mundo?
Essa vida que
escolhemos não é fácil e, desde cedo, fomos acostumados a isso. Minha primeira
luta foi contra o sono. Lutava para ficar acordado e assistir, nem que fosse
uma pontinha, ao Jornal da Globo, só
para ver aquele homem de cabelos já brancos e de postura confiante passar por
todas aquelas notícias. Willian Waack sempre foi e sempre será uma inspiração.
De repórter a apresentador, vi nessa figura a liberdade de noticiar e
alfinetar, de vasculhar e instigar.
Certo dia, passando
pela sala de estar, ouvi uma voz ressonante, alta, clara e grave vindo da
televisão. Era hora do Jornal Nacional
e aquela voz pertencia a Willian Bonner. Aquela voz, logo percebi, passava a
confiança que o fato noticioso precisava. Até a notícia da derrota do Flamengo
na última rodada do campeonato merecia uma atenção, porque a voz , vibração daquela voz, me dizia que sim.
Desde então, anos se
passaram. O gosto pela escrita e pela novidade foi aguçado. A habilidade da fala
foi desenvolvida. E a curiosidade, cada vez mais instigada. Percebemos que nem
só da grande mídia é feito o jornalismo. Ou que as palavras escritas conseguem
ser tão impactantes – e, por vezes, até mais – do que as palavras faladas. O
foco foi sendo mudado, mas sem nunca perder aquela rajada de vento que instigou
a primeira chama.
Descobrimos, por fim,
que aquilo que pensávamos ser não é realmente como imaginávamos. As leis da
física dificultam o desbravar do universo. A ausência de incentivo torna a vida
de jogador cada vez mais improvável. Apesar de tudo, continuamos com o sonho de
falar para o mundo.



Postar um comentário