O velho ranzinza
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Crônica
Por José Carlos Júnior*
Ainda me pergunto se é essa mesmo a
vida que eu quero ter. É uma profissão nobre, em sua essência (e por isso me
interessei por ela), mas a cada dia mais em descrédito, seja pelos editoriais
que cada dia mais podam a liberdade de seus subordinados, seja pelo
sensacionalismo que parece ter virado lei no Brasil, não importa o veículo. Ou
ainda as demissões em massa nos grandes veículos, o que sempre causa incerteza
em quem está aqui, se iniciando nesse mundo louco movido a café e deadlines.
Peço perdão pelo relato
apocalíptico, mas talvez seja porque já estou há algum tempo aqui, e parte da
inocência e do romantismo já tenha se perdido. Mas se há algo que ainda me
atrai aqui, talvez isso seja a ideia de dar voz àqueles que não tem. Usar um
pouco do que ainda resta de status na profissão, para dar espaço às pessoas
menos favorecidas (afimal, quem tem notoriedade já consegue seu espaço
naturalmente). Jornalismo, de certa forma, é um trabalho social. É dar voz aos menos
abastados, é cobrar do sempre falho poder público por mais justiça e
transparência. O Jornalismo é um velho ranzinza e amargurado, que só reclama e
nunca está satisfeito com nada. Tudo a ver comigo.


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