Na veia

Por Mateus Maia*


Foto: arquivo pessoal
Caminho que chamo de meu até a UnB. Pode-se entender essa frase como quiser, como um adolescente lá em Belém ou como a saída do metrô da rodoviária do Plano Piloto, em Brasília. O som dos motores, ao qual já me acostumei, retumbava do alto da escada, contudo foi outro ruído que me chamou a atenção.
Gritos diversos eclodiam da plataforma dos ônibus, era um grupo de centenas de adolescentes que saíram de sua “alienação’’ e protestavam contra o corte da isenção da taxa de inscrição para o PAS da UnB. ‘’Pensavam que o movimento estudantil estava morto, estavam enganados’’ era só um exemplo que escutei ao sair do subsolo.
Já com o vento trazendo a poeira típica de Brasília,encontrava-me ali, bem no meio da bagunça, onde tudo vibrava de excitação e tensão. Junto com o contexto, pulsei; dentro de mim, das minhas entranhas veio a vontade de saber o que estava acontecendo. A agonia de se deparar com os fatos e começar a pensar nas coisas que se deve fazer, apurar, entrevistar os alunos, os policiais militares e populares.
Uma pena que ainda não sou jornalista... Espera, quem disse isso? Como não ser algo que só pela possibilidade de trabalhar meu sangue ferve e os pelos se arrepiam? Não há como dizer que serei isso só daqui a alguns anos, quando estiver empregado e a universidade for uma lembrança. Sou jornalista agora! No momento que meu sangue me falou que eu era, na rodoviária percebi, vem de dentro. Tá na veia.

*Estudante da disciplina Introdução ao Jornalismo, Faculdade de Comunicação, UnB, 2. Semestre/2015.


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